segunda-feira, 26 de julho de 2010

A MORTE DE UM INOCENTE NÃO É A MELHOR SOLUÇÃO


Aborto ou interrupção da gravidez é a expulsão prematura de um embrião do útero, resultando na sua morte ou sendo por esta causada. Isso pode ocorrer de forma espontânea ou artificial. A última ocorre pela ingestão de remédios ou por métodos mecânicos que podem acarretar, em grande parte dos casos, sérios problemas à mãe do feto. Se o aborto causa tantos problemas à vida humana, por que é tão grande o número de mulheres que abortam no mundo?

Numa época em que a televisão e as informações estão ao alcance de todos, mesmo nos lugares mais periféricos, não é de se admitir que não conheçam meios eficazes de evitar uma gravidez indesejada. A maioria das pessoas, tanto mulheres (geralmente muito jovens), como homens, deixam as coisas acontecerem por pura acomodação. Nossa constituição garante o direito à vida e aborto, no caso, seria inconstitucional.

A expulsão do feto pode ocasionar sérios problemas como: infecção e obstrução das trompas, provocando esterilidade (improdutividade de filhos); perigo de lesão no intestino ou na bexiga; interrupção para estancar a hemorragia, etc.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o campeão mundial de abortos clandestinos, pois são contabilizados cerca de 1,4 milhões por ano, mais do que todos os outros países da América do Sul reunidos. Dados do Fundo das Nações Unidas para a População (FUNNUP) mostram que em virtude de complicações desses abortos morrem por ano nos países da América Latina (inclusive no Brasil) seis mil mulheres, consistindo na terceira causa de morte materna, depois das hemorragias e da hipertensão.

Diante do exposto, percebemos que o aborto é um ato imprudente das mulheres, que não pode ser legalizado pela Constituição Brasileira. O governo deveria, por outro lado, investir mais em campanhas sobre a prevenção da gravidez e distribuir gratuitamente à população os métodos preventivos como a camisinha.

Luana

(CALL 1º e 2º anos, quinta-feira, sala 9)

VENCENDO O SEDENTARISMO


/////Atualmente, a prática de atividades físicas é essencial para se tornar, cada vez mais, uma pessoa saudável. Mas, mesmo assim, o percentual de sedentários aumenta a cada dia. Esse problema, que vem atingindo milhares de pessoas, precisa ser enfrentado.
/////Pessoas com poucas atividades físicas e que perdem poucas calorias durante a semana são considerados sedentárias. O sedentarismo é muitas vezes chamado de “doença do século” por causa dos vários malefícios que causa à saúde. Ele é um problema de saúde pública grave e o seu combate pode diminuir nacionalmente a incidência de doenças e mortes prematuras. É a principal causa do aumento da ocorrência de várias doenças, pois pode comprometer o funcionamento de vários órgãos, provocar um processo de regressão funcional, perda de flexibilidade articular. Por isso, deve ser combatido. Muitos sedentários, quando iniciam a prática de atividades, sentem dores, demoram a se adaptar. Isso gera a sua desistência nessa fase, pois eles passam o dobro de tempo que um inativo (que pratica algum esporte e está parado) nessa adaptação.
/////Para combater isso, é preciso encarar a prática habitual de exercícios como um objetivo a ser conquistado. É preciso haver determinação, ultrapassar os limites, além da conscientização de cada um da importância da prática de uma atividade física. O importante mesmo é praticar o exercício que seja interessante, agradável, mas que, ao mesmo tempo, seja saudável e motivador.

/////Mariane Oliveira
/////(CALL, 1º e 2º anos, sala 9)

terça-feira, 20 de julho de 2010

PATRIOTISMO DENTRO E FORA DE CAMPO


Estamos em época de Copa. Período em que todo o país une-se com um mesmo sentimento patriótico. A paixão brasileira pelo futebol e o favoritismo em campo despertam o orgulho de sermos brasileiros. Pena que nosso patriotismo seja momentâneo. Ao término da Copa, as bandeiras e camisas verde-e-amarelas serão guardadas e músicas como: “Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor” serão esquecidas e relembradas somente daqui a quatro anos.

Enquanto aguardamos a chegada de outra Copa, somos bombardeados diariamente pela mídia, que nos mostra apenas os problemas e as deficiências do nosso país. A falta de educação e saúde públicas de qualidade são exemplos típicos das manchetes publicadas em todo o Brasil. Todas essas complicações minimizam gradativamente nosso “orgulho de sermos brasileiros”.

Deparamo-nos com todos esses problemas e quando recebemos uma boa notícia não colocamos uma camisa verde-e-amarela e comemoramos, e sim dizemos: “Pelo menos não está tão mal!” Por que não festejamos quando um hospital público recebe investimentos assim como fazemos com um gol durante a Copa?

“Somos, de fato, brasileiros ‘como muito orgulho, com muito amor’?” Sim, porém apenas durante uma Copa. Por mais que o nosso país tenha problemas, também possui qualidades, e muitas. Como brasileiros, devemos ter orgulho da nossa nação e torcermos não apenas pelo futebol, mas por tudo que temos, todos os dias. Devemos exercer nosso patriotismo dentro e fora de campo.

Raquel Cristina Farias de Medeiros
(CALL 1º e 2º anos, quinta-feira, sala 9)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

VIOLÊNCIA EM NOME DA EDUCAÇÃO?


O aprendizado da moral se dá a partir de exemplos. Isso é um fato. E, com base nessa afirmação, devemos propor a seguinte questão: Crianças que recebem castigos físicos não estariam aprendendo a conseguir o que querem por meio da violência, ao invés de aprenderem a se comportar melhor? O castigo físico não deve ser apenas desestimulado, e sim proibido de uma vez por todas para que a dignidade e a saúde dos nossos jovens possam ser preservadas.

Os pais podem não perceber, mas aquela “palmadinha” tão comum na punição de mau comportamento pode trazer várias consequências para a criança, como traumas que ela leva para o resto da vida ou ainda uma noção errônea sobre as relações de poder entre as pessoas: Ela entende que o mais forte sempre vai ter poder sobre o mais fraco, e isso o leva a ser um adulto agressivo, que acha que a forma certa de se relacionar com as pessoas é fazendo-as temê-lo ao invés de amá-lo.

Mas o castigo físico não é apenas prejudicial nesse ponto. Ele também prejudica a relação entre pais e filhos, que passa a ser baseada no medo, e não no carinho de que as crianças tanto precisam. Isso resulta numa pouca afetividade da criança em relação ao ambiente familiar, fazendo-a evitá-lo a todo custo e preferir passar seu tempo longe dalí. Além de todas as consequências que a punição física traz para a criança e sua família, ainda existe o fato de que esse é um ato totalmente antiético. Se um adulto não pode bater em outro adulto, então por que haveria de poder bater em uma criança? As leis do nosso país garantem, na teoria, que o desenvolvimento dos nossos jovens se dê longe de qualquer tipo de violência. Está na hora de darmos ao estatuto da criança e do adolescente a sua devida importância.

Mas apenas proibir o castigo corporal não vai resolver o problema. É preciso dar aos pais uma reeducação para que seus filhos possam ser corretamente educados. Isso pode ser feito a partir de campanhas de grande escala, que utilizem a mídia para conscientizar a todos.

Crianças educadas na base da violência se tornam, inevitavelmente, adultos agressivos que aplicam em seus filhos toda a brutalidade que aprendem com os pais. Chegou a hora de colocar um basta nesse ciclo vicioso no qual nossas famílias se aprisionaram.

Alessandra Macêdo de Oliveira

(CALL 1º e 2º anos, terça-feira, sala 7)

terça-feira, 22 de junho de 2010

UM MILAGRE NO BRASIL: A JUSTIÇA FOI FEITA

Fazendo a minha caminhada diária pelas ruas de São Paulo, passei em frente ao Fórum de Santana, como todos os dias eu faço. Porém algo diferente ocorria por lá. Havia jornalistas, velho, menino, cachorro... Toda São Paulo estava lá. Sem entender o que estava acontecendo, indaguei a uma senhora o porquê de tudo aquilo e ela me respondeu com um tom de indignação: “Eu não acredito que a senhora não saiba que hoje é o dia do julgamento da menina Isabela e que esse está ocorrendo aqui!”

Pois é, desligada como sempre, esqueci do caso do ano. O da jovem Isabela, que aos 5 anos foi defenestrada do edifício onde seu pai morava. Esse que, junto à madastra da jovem, eram os principais suspeitos.

Também, com todas as evidências apresentadas pela perícia, era difícil acreditar em uma terceira pessoa. Porém o que mais me aterrorizou nesse caso foi a questão de o assassino ser o próprio pai! Como ele pode fazer isso com a sua única filha? Essa era a pergunta de muitos presentes naquela rua, não só nela, mas de todo o Brasil.

Curiosa para saber do desfecho daquele caso e com medo de levar outra resposta indignada, montei acampamento no Fórum. Não só eu, mas umas 5.947.891... pessoas.

Como qualquer bom brasileiro, levei a minha “mini” televisão. Lá acompanhava tudo, até a frieza que aquele “pai” tinha em seus depoimentos. Ele parecia ter desculpa para tudo e quando não tinha utilizava a frase da moda: “Não me recordo”. Uma expressão muito comum na política atual e que está me levando a crer que o país está tendo uma crise de amnésia. Por incrível que pareça, só ocorre no momento que a pessoa está sendo investigada ou julgada.

Após dias acampada, o julgamento chega ao fim. Fogos são lançados e a alegria de justiça feita, milagrosamente rápida comparada a outros casos, atinge a todos, menos ao advogado dos Nardoni. Esse que acabara de anunciar em público que irá recorrer à decisão. Só não sei com qual desculpa, pois com as evidências periciais, só admitindo que o pai é o culpado.

Beatriz da Silva M. Cavalcanti

(CALL 1º e 2º anos, terça-feira, sala 9)

DE ONDE VEM A POBREZA?

No mundo no qual vivemos, movido pelos ideais capitalistas, existe muita desigualdade social. Na lógica do capitalismo, o lucro de um é obtido em cima da exploração do outro. Enquanto uns morrem de fome, outros se deliciam em grandes banquetes. Não é raro encontrar pessoas que moram nas ruas, que não têm o que vestir ou o que comer.

O Brasil não é um país pobre, no entanto é um país desigual. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), são 56, 9 milhões de pobres no Brasil, sendo 24, 7 milhões na extrema pobreza. A pobreza existe quando uma parcela da população não consegue gerar renda suficiente para ter acesso aos recursos básicos, tais como água, saúde, educação, moradia, renda e cidadania. Além da má distribuição de renda, outro fator de desigualdade é a educação (uma vez que sem ela os indivíduos ficam vulneráveis no mercado de trabalho, que necessita de profissionais cada vez mais qualificados). A desigualdade agravada pelo frágil sistema educacional é ampliada pelo mercado de trabalho altamente tecnológico.

Acabar com a pobreza em um país "rico" com grande número de pobres requer poucos recursos. Baseando-se nas informações do IPEA, para erradicar a pobreza seriam necessários 5% da renda do país redistribuídos à população carente. Já para erradicar a extrema pobreza brasileira é preciso redistribuir pouco menos de 1% da renda do Brasil. Investir na educação básica é um outro passo a ser dado na tentativa de acabar com a pobreza, tornando os indivíduos aptos a competir no mercado de trabalho.

Milena Ferreira

(CALL 1º e 2º anos, terça-feira, sala 9)

terça-feira, 8 de junho de 2010

O HOMEM AINDA NÃO VIROU DEUS

Nesta quinta-feira, 20 de maio de 2010, a imprensa divulgou um fato inédito: foi produzido o primeiro ser vivo em um laboratório. J. Craig Venter, em seu instituto, deu origem a Cinthia, uma célula controlada por genoma sintético. "O homem criou a vida", segundo a revista britânica The Economist. Mas até que ponto essa afirmação é verdadeira? Os cientistas realmente conseguiram produzir uma vida? Precisamos entender, com clareza, o que foi criado para não sermos enganados.

O genoma é composto por sequências de DNA. Cada DNA é formado por moléculas. São elas T (timina), A (adenina), C (citosina) e G (guanina). Essas moléculas, quando se combinam, determinam as características do organismo. Para "produzir o primeiro ser vivo", os cientistas isolaram o DNA da bactéria Micoplasma. Logo após, estudando minuciosamente cada informação contida, guardaram os dados em um computador. Então retiraram algumas sequências do DNA estudado e mudaram sua ordem. Foi praticamente isso que os cientistas fizeram. Mudaram a ordem de um DNA e criaram sua própria sequência. Depois, pegaram outra bactéria Micoplasma e, tirando seu genoma, esvaziaram a célula. Sobrou, dessa forma, apenas uma "carcaça" onde o DNA criado pelos cientistas foi introduzido. A célula esvaziada, portanto, começou a ser controlaa pelo genoma modificado em um laboratório.

É divulgado em jornais e revistas que se trata de uma célula totalmente artificial. Estamos sendo iludidos pela mídia. Apenas o genoma dessa célula é artificial. As outras partes são compostas por elementos já existentes na natureza. Uma nova sequência de DNA não é algo vivo, não pode ser considerado uma vida.

Não acredite tão facilmente no que está sendo publicado. As informações precisam ser esclarecidas.

Priscyla Cristini Gomes Paiva

(CALL 1º e 2º anos, quinta-feira, sala 9)


segunda-feira, 31 de maio de 2010

O MUNDO COM SEDE

Por mais sérios que sejam as crises financeiras, de alimentos ou de energia, nenhuma é tão ameaçadora em relação ao futuro da humanidade quanto à perspectativa de escassez de água. Não dá para incentivar a "fabricação" de água por meio de pacotes econômicos e com ajustes nas taxas de juro. Tampouco é possível substituir a água por uma substância alternativa, como se faz com o petróleo, que pode ser trocado por outras fontes de energia. Não existe nenhuma "bioágua".

Quanto mais rica é uma nação, maior o consumo de água por habitante. Os países que não detêm fontes suficientes para a agricultura, importam água virtual (contida na produção de alimentos) de outras nações.

A água é um direito humano, e todos devem ter acesso a ela em quantidade suficiente para garantir a saúde, o desenvolvimento econômico e o bem-estar social. Mas, diante da escassez, a água cresce de valor econômico. E a oferta desse recurso natural - renovável, porém não inesgotável - corre risco de entrar numa crise profunda, pressionada cada vez mais pelo crescimento demográfico, pelas mudanças climáticas, pela contaminação das fontes e pelo desperdício.

Temos que nos conscientizar e não utilizar a água de uma forma exagerada, senão um dia não vamos mais tê-la. Se começarmos a racionalizar agora, não chegará o dia em que o homem terá que beber suas próprias lágrimas para saciar sua sede.

Renata Karen G. da Fonsêca

(CALL 1º e 2º anos, terça-feira, sala 9)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

QUEBRA-CABEÇA DE RAÇAS

Brasil. Nação que surgiu com a chegada dos portugueses, mas cujas origens recordam seus habitantes originais, os índios, e cujos costumes e tradições são um grande quebra-cabeça, formado por peças africanas, européias, e até mesmo orientais. Sendo um país de tamanha miscigenação, será possível que exista preconceito no Brasil?

Casos como o do índio pataxó Galdino dos Santos, que teve 95% do corpo queimado por estudantes de classe média, respondem a essa pergunta. Na verdade, a diversidade de povos só acirra essa batalha de raças, que estereotipa as pessoas em conceitos como "negro ladrão", "índio preguiçoso" e "branco mauricinho".

O surgimento desse racismo, no sentido mais puro da palavra, remonta a história do nosso Brasil, que mesmo em pleno século XXI, ainda traz resquícios da colônia que foi um dia. Mas ao contrário de países como a Índia, em que os grupos são isolados por castas, aqui vivemos e crescemos juntos.

E essa é a grande diferença. Aqui, independente de nossa cor, todos temos um pouco de tudo dentro de nós, pois no fundo somos um povo só: o brasileiro. E a luta contra o racismo significa, mais do que tudo, a afirmação da nossa nacionalidade.

Graziela Severiano da Costa

(CALL 1º e 2º anos, terça-feira, sala 8)


terça-feira, 18 de maio de 2010

O EXERCÍCIO DEMOCRÁTICO DE OPTAR

2010 é ano de eleição. Nos próximos meses, teremos alguns minutos roubados da programação televisiva para que os candidatos apresentem suas propostas e tentem, em determinados minutos, convencer os eleitores a digitarem seus números nas urnas. Sob o pretexto de fazer o melhor pela população brasileira, milhares de pessoas se candidatam a cargos como deputados, governadores, senadores e até presidentes, e cabe a nós escolher, com seriedade, aqueles que serão nossos representantes políticos e burocráticos pelos próximos quatro anos.

Sabemos, entretanto, que muitas vezes o discurso ensaiado e decorado pelos políticos para cativar os brasileiros não é posto em prática quando eles assumem seus cargos, prejudicando o modo de vida da população e fazendo com que percamos nossas esperanças nas palavras proferidas nas propagandas eleitorais. Não se leva mais a sério o que dizem aquelas pessoas que, apenas na teoria, mostram-se corretos.

É contraditório o discurso de que a democracia se exerce com o voto, quando vemos na televisão pessoas que usam das mais absurdas formas para conquistar a confiança dos eleitores. Danças, capas de super-homem e jingles inacreditavelmente chulos fazem parte das propagandas políticas e isso faz com que muitas pessoas votem por brincadeira, e unicamente porque não é algo facultativo.

É preciso que aqueles que se encaminhem às urnas tenham consciência de que o voto reflete diretamente no futuro do país. Os políticos não podem falar em democracia se, na verdade, um circo foi armado no horário eleitoral e as pessoas são induzidas a votar naqueles que são engraçados e apelam ao ridículo para se eleger. Em países como os Estados Unidos, os cidadãos não encaram como brincadeira as eleições, e por isso só votam aqueles que têm vontade de ver o país prosperar. O resultado, se não sai perfeito, sai bem melhor que o nosso.

Ditados populares costumam ser verdadeiros. "Qualidade é melhor que quantidade" não foge à regra. Se as pessoas votarem por opção, vão escolher pessoas sérias e unicamente porque acreditam na melhoria do Brasil, ao contrário daqueles que são eleitos por terem uma musiquinha marcante ou gastarem mais do que ganham (ora, de onde sai o dinheiro?) nas suas propagandas veiculadas.

Ana Clara de Araújo Maia.
(CALL 1º e 2º anos, terça-feira, sala 7)

A DIGNIDADE DO HOMEM E O TRABALHO

Durante a revolução industrial, o homem trabalhou em condições desumanas. Numa média de 18 horas por dia, sem ao menos sentar ou descansar. Todo o esforço era feito por esses homens para que pudessem sustentar suas famílias e a si próprios, poder viver. Porém eu indago: que vida? Se eles não tinham tempo para o lazer, descanso, família e realizações pessoais, não tinham tempo para viver. O mesmo acontece com muitos trabalhadores da sociedade atual. As pessoas trabalham para viver e vivem para trabalhar.

Afirmar que é o trabalho que dignifica o ser humano é mera ilusão. O homem não é digno apenas porque trabalha, ele é digno, principalmente, pelos valores que tem. Valores esses que são adquiridos através da família, meio em que vive, escolhas pessoais, momentos felizes. Não a partir da dor e humilhação provenientes de um esforço exagerado no trabalho que geralmente chacina o trabalhador.

O trabalho é um meio utilizado pela sociedade para qualificar o indivíduo: apenas aqueles que trabalham são providos de valores e respeito. Essa é uma ideia tão clichê e tão aceita pela população, que as pessoas que não se encontram em atividade, não se sentem parte dessa sociedade.

O trabalho, apesar de tudo, é o único meio justo que temos de conseguir aquelas valiosas notas de papel chamadas dinheiro, que, infelizmente, são essenciais para a estrutura da vida da pessoa. Sem dinheiro não temos como comprar alimento, vestuário e moradia, ou ter acesso a um atendimento médico necessário e de qualidade. Porém o trabalho não se torna justo quando é excessivo e não sobra tempo para o trabalhador ter uma vida privativa saudável, desfrutar de momentos de lazer com a família, poder educar seus filhos, apreciar a natureza e a vida, se conhecer. Trabalhar excessivamente não faz crescer. Muitas vezes essa ação diminui e massacra o ser humano.

As pessoas são escravas do trabalho. Elas vivem em um não querer e necessitar constante, de situações que vêm sendo impostas ao indivíduo por vários séculos. Esses indivíduos não trabalham simplesmente porque gostam, trabalham porque é preciso. E junto com o trabalho caminham a exploração e a falta de tempo para viver e ser feliz. Essa exploração não é suficiente para algumas pessoas questionarem seu direito de viver com dignidade sem humilhação e opressão. Não as culpo. Tudo isso é fruto de um mercado de trabalho exigente e competitivo, e de uma sociedade que cobra do indivíduo a sua presença nesse mercado.

Ana Clara da Silva Maia

(CALL 1º e 2º anos, terça-feira, sala 7)


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

CARTA ARGUMENTATIVA


Goianinha, 29 de setembro de 2008.

Prezado senhor George Guimarães,

Em seu artigo intitulado “Vegetarianismo radical”, publicado na revista Superinteressante, deparei-me com sua opinião sobre a adoção de uma dieta integralmente vegetariana. Respeitosamente, li-o e, discordando de alguns pontos do que foi exposto pelo senhor, venho por meio desta apresentar-lhe minha opinião acerca do referido assunto.

“Não há diferença entre matar um boi e um cachorro para comer”, argumentou o senhor. Entretanto, o fato de haver ou não essa diferença é de âmbito estritamente cultural. Não era necessário sequer recorrer a duas culturas distintas (como a chinesa e a ocidental) para mostrar que é relativo o modo de avaliar uma determinada situação: bastaria ver uma cena típica da cultura gastronômica ocidental – o comer picanha. O que para alguns pode parecer um suculento prato, em que se pode apreciar uma deliciosa mistura de tempero, temperatura e maciez da carne, para outros se trata do consumo de um pedaço de músculo, amputado da região pélvica de um animal bem maior que o homem. É relativo!

A questão do que comer não se resume só às disparidades entre as culturas e os conseqüentes modos de ver e compreender determinadas situações concretas. Ela se desdobra em implicações econômicas, ambientais, éticas, fisiológicas, filosóficas, históricas e religiosas.

De acordo com o antropólogo físico Walter Neves, da Universidade de São Paulo (USP), “o homem tem dentes e pequenos e sistema digestivo curto, características de onívoros”, o que exemplifica uma adaptação fisiológica dos seres humanos.

Além disso, não podemos comparar de forma alguma o homem aos demais animais. Nossa maneira de pensar não pode deixar de estar permeada de um profundo e racional antropocentrismo, que nos permita reconhecer, simultaneamente, a dignidade do ser humano e o direito que nos assiste de dispor dos recursos naturais – sempre sustentável e conscientemente – para nossa sobrevivência.

No tocante às doenças “causadas” pelo consumo excessivo de carne, é conveniente citar a opinião de Gary Taubes, correspondente da revista americana Science e um dos principais escritores de ciência do mundo. Segundo Taubes, nutrição não é baseada numa simples relação de causa e conseqüência (por exemplo, “quanto mais carne, mais ataques cardíacos”). A carne parece se comportar como mais um fator – dentre muitos – a contribuir para a incidência de doenças. A França, país de pâtisserie, fã ardoroso das carnes vermelhas de todo tipo, onde qualquer almoço começa refogando o que quer que seja em manteiga derretida, tem uma das mais baixas taxas de mortes por ataque cardíaco no mundo. O mesmo se observa na Europa Mediterrânea.

O consumo de produtos animais não é o único responsável pela matança em larga escala de animais. Alguns exemplos ajudam a perceber isso. A gelatina deve sua consistência ao colágeno arrancado da pele e dos ossos das vacas. Aliás, quase todas as comidas elásticas, desde maria-mole ao chiclete, contém colágeno. Filmes fotográficos e de cinema são recobertos por uma gelatina retirada da canela da vaca. Cremes de barbear, xampus, cosméticos e dinamite derivam da glicerina, substância que contém gordura bovina.

Concordo que uma dieta saudável deve ser rica e variada de vegetais. Contudo, para se obter essa dieta, não é preciso aderir obrigatoriamente a um vegetarianismo radical. Consumir unicamente produtos vegetais certamente contribuiria, entre outras coisas, para o desenvolvimento progressivo de um estilo de vida mais saudável e para uma preservação da Terra. Apesar disso, não podemos transformar o vegetarianismo em um ”dogma”, sedimentado em verdades absolutas e de aceitação e extensão universal. Sem mais, despeço-me.

Arlandson Matheus Silva Oliveira

(Colégio Nossa Senhora dos Prazeres, Pré-vestibular)